Diário de Bordo e Controle de Manutenção: onde termina um e começa o outro?

27/02/2026
Ilustração em estilo flat design, com estética digital, vetorial e minimalista, predominantemente em tons de azul com detalhes em amarelo e branco. A imagem está dividida verticalmente ao meio por uma linha pontilhada. À esquerda, um piloto sem uniforme formal, usando camisa polo clara, segura um tablet exibindo um checklist digital com marcações verdes, representando o diário de bordo digital (eDB). Ao fundo, há a torre de controle e estruturas de um aeroporto regional. Acima dele, um ícone de prancheta com checkmarks e uma chave inglesa reforça a ideia de registro operacional. À direita, um mecânico com macacão azul e boné segura uma prancheta amarela, em frente a um hangar e a um jato executivo de pequeno porte estacionado. Sobre essa área aparecem ícones de engrenagem, documento com “PN” e uma maleta, simbolizando controle técnico de manutenção, peças e gestão de componentes. Em primeiro plano, há um livro aberto representando cadernetas de manutenção. Na parte inferior, os textos “Diário de Bordo” e “Controle de Manutenção” destacam visualmente a comparação entre os dois conceitos. A intenção visual é mostrar de forma clara a diferença e complementaridade entre o diário de bordo digital e o controle técnico de manutenção na gestão aeronáutica.

O que é o Diário de Bordo segundo a regulamentação da ANAC?

O diário de bordo é o registro oficial das informações operacionais e técnicas de uma aeronave, exigido pela ANAC para documentar cada voo realizado.

No Brasil, sua estrutura e requisitos estão principalmente associados a:

O diário possui, de forma simplificada:

  • Parte I – Registro de voo (dados operacionais);
  • Parte II – Situação técnica da aeronave (discrepâncias, panes, correções e liberação para voo).

Quando falamos em diário de bordo digital (eDB), estamos falando da substituição oficial do modelo físico, nos termos da Portaria 3220 e regulamentações correlatas.

Esse ponto é importante: o eDB não é apenas um “controle interno” ou uma planilha. Ele substitui juridicamente o diário físico.


O que é o CTM (Controle Técnico de Manutenção)?

O CTM é o sistema utilizado pelo operador para gerenciar:

  • Controle de horas e ciclos;
  • Vencimentos de inspeções;
  • Diretrizes de Aeronavegabilidade (ADs);
  • SBs incorporadas;
  • Programas de manutenção aprovados;
  • Componentes com vida limitada.

Diferente do diário de bordo, o CTM não é um documento que registra um voo específico. Ele é um sistema de gestão continuada da aeronavegabilidade.

Em operações sob RBAC 121 e 135, isso normalmente faz parte do sistema de manutenção aprovado. Já no RBAC 91, mesmo operadores menores precisam manter controle adequado para garantir conformidade com o programa de manutenção aplicável.


Diário de Bordo substitui o CTM?

Não.

E essa é uma das confusões mais comuns no mercado.

O diário de bordo registra o que aconteceu no voo.
O CTM controla o que precisa acontecer na manutenção.

Exemplo prático (RBAC 135):

  1. Durante o voo, o comandante registra na Parte II do diário uma falha no sistema de degelo.
  2. O mecânico analisa, corrige e lança a ação corretiva no próprio diário.
  3. O CTM, por sua vez, continuará controlando inspeções futuras, vencimentos e qualquer AD relacionada ao sistema.

Ou seja:

  • O diário registra o evento.
  • O CTM gerencia o ciclo de manutenção ao longo do tempo.

São complementares — não concorrentes.


A Parte II do Diário de Bordo já não é um controle de manutenção?

Ela é um registro técnico operacional — mas não é o controle detalhado oficial da manutenção.

A Parte II do diário de bordo serve para:

  • Informar discrepâncias identificadas pela tripulação;
  • Registrar a execução de ações corretivas;
  • Declarar que determinada inspeção regular foi realizada;
  • Formalizar a liberação da aeronave para voo.

E aqui está o ponto técnico importante:

Embora a Parte II possa trazer o registro de que uma inspeção foi executada (por exemplo, “Inspeção de 100h realizada”), ela não contém o detalhamento técnico da tarefa.

Na Parte II você não encontrará:

  • A lista completa dos serviços executados durante a inspeção;
  • Quais tarefas do programa de manutenção foram cumpridas;
  • Quais Part Numbers (PNs) foram substituídos;
  • Quais componentes foram removidos ou instalados com seus respectivos números de série;
  • Referências detalhadas de cartões de tarefa ou manual de manutenção.

Essas informações pertencem ao controle técnico de manutenção (CTM) e, tradicionalmente, ficam registradas nas cadernetas de célula, motor, hélice e demais registros técnicos da aeronave.

Ou seja:

A Parte II é uma declaração formal de que a tarefa foi realizada e de que a aeronave está liberada.
O CTM é o sistema que contém o histórico técnico completo da execução.

Em termos práticos:

  • O diário informa que a inspeção de 100h foi cumprida.
  • O CTM documenta quais itens foram inspecionados, quais componentes foram substituídos e qual foi a base técnica utilizada.

Confundir esses dois níveis de registro pode gerar um erro comum: acreditar que o diário substitui o histórico técnico da manutenção — o que não é correto do ponto de vista regulatório.


Em uma inspeção da ANAC, o que pode ser verificado em cada sistema?

Em uma inspeção de rampa (conforme a IS 00-009), o INSPAC poderá verificar:

No diário de bordo:

  • Assinaturas;
  • Registro correto de voos;
  • Correção de discrepâncias;
  • Sequência cronológica;
  • Disponibilidade imediata para apresentação.

No controle de manutenção:

  • Conformidade com o programa aprovado;
  • Situação de ADs;
  • Status de inspeções;
  • Controle de componentes.

Se o operador confundir os dois sistemas, o risco é gerar inconsistências entre o que foi registrado no voo e o que está controlado na manutenção.


É possível integrar Diário de Bordo Digital (eDB) e CTM?

Sim — e tecnicamente é o cenário mais seguro.

Quando o eDB está integrado ao controle de manutenção:

  • As horas lançadas no voo alimentam automaticamente o controle técnico;
  • Discrepâncias podem gerar fluxos formais de manutenção;
  • Evita-se divergência entre operação e manutenção;
  • Reduz-se risco de erro humano na transcrição manual.

Esse ponto é especialmente sensível em operações com múltiplas aeronaves, como aeroclubes, táxi-aéreo e operadores executivos sob RBAC 91 ou 135.

A digitalização isolada do diário resolve o problema do papel.
A integração com CTM resolve o problema da gestão.


Quais são as opções de registro no Brasil: diário físico, eDB ou sistema próprio?

No Brasil, o operador tem basicamente três cenários:

  1. Diário físico conforme Portaria 2050;
  2. Diário de bordo digital homologado conforme Portaria 3220;
  3. Sistemas internos que não substituem oficialmente o diário, servindo apenas como controle auxiliar.

Esse ponto é crucial para quem pesquisa “opções de eDB para aeronaves” ou “ANAC aceita diário eletrônico?”:

Nem todo sistema digital é um eDB homologado.

Para substituir oficialmente o diário físico, o sistema precisa atender aos requisitos regulamentares aplicáveis.


Onde termina o Diário e começa o CTM?

De forma objetiva:

O diário termina no registro do fato ocorrido.
O CTM começa na gestão técnica da aeronavegabilidade continuada.

Quando ambos estão estruturados, integrados e auditáveis, o operador reduz:

  • Risco regulatório;
  • Inconsistência de dados;
  • Retrabalho;
  • Dependência de controles paralelos em planilhas.

Para operadores sob RBAC 91, 121 ou 135, entender essa fronteira é essencial para manter conformidade e eficiência operacional.


Conclusão

Diário de bordo e controle de manutenção não são a mesma coisa — mas precisam conversar.

Enquanto o diário documenta o voo e suas ocorrências, o CTM garante que a aeronave continue aeronavegável ao longo do tempo. Confundir os dois sistemas pode gerar lacunas operacionais e riscos regulatórios.

Se sua operação ainda trata diário e manutenção como sistemas isolados ou baseados em controles manuais, pode ser o momento de revisar essa estrutura.

Se quiser entender como estruturar um diário de bordo digital (eDB) de forma integrada ao controle técnico de manutenção, fale com nossa equipe preenchendo o formulário de contato.

Cookies:

1. O cookie é um trecho de informação armazenado localmente no computador ou dispositivo do USUÁRIO, e que contém informação acerca das atividades deste na Internet, podendo ser usados de diferentes formas e modalidades:

i. Cookies Necessários: essenciais para a navegação. São utilizados estritamente para a prestação dos serviços disponibilizados, razão pela qual, a aceitação é dispensável pelo legítimo interesse.

ii. Cookies Funcionais: estes cookies são usados pelo website por algumas de suas funcionalidades. Por exemplo, cookie que permite saber se o usuário escolheu a opção “Mantenha-me conectado” para que o site entre automaticamente na conta da próxima vez que ele voltar à página.

iii. Cookies de Desempenho: Este tipo de cookie coleta informações anônimas sobre a forma como os USUÁRIOS utilizam a plataforma, de forma a otimizá-la. As informações coletadas por estes cookies nunca contêm detalhes pessoais a partir dos quais seja possível identificá-lo.
iv. Cookies Publicitários: Estes cookies coletam informações sobre os seus hábitos de navegação, buscando tornar a publicidade mais relevante para você e para os seus interesses. Eles memorizam os websites que você visitou e compartilham essa informação com outros anunciantes.

2. O acesso aos cookies termina assim que o USUÁRIO fecha o navegador. É dada ao USUÁRIO a possibilidade de aceitar ou recusar os cookies.

Como posso desabilitar os cookies?

Você pode desabilitar os cookies nas configurações do seu broswer, cada broswer tem uma maneira diferente de realizar esta ação, Mas cuidado! Ao desabilitar os cookies a plataforma pode não funcionar corretamente.